Um dos importantes marcos da nossa cultura que ainda se mantem ilesa de
qualquer influência progressista, é a tradição
dos costumes e festas religiosas, realizadas por ocasião da comemoração
aos santos de devoção popular.É
o caso das festas em louvor a São Benedito, a Nossa Senhora do Rosário
e ao Divino Espírito Santo.É
importante lembrar que a festa de São Benedito ( geralmente realizada
na última semana de junho e com encerramento no primeiro domingo
de julho), apesar de ter características semelhantes à do
Senhor Divino, não tinha a mesma magnitude, uma vez na primeira
predominava a participação popular, enquanto na segunda,
era a alta sociedade cuiabana que liderava os festejos.
Nesta festas, bem como na de Nossa Senhora do Rosário era comum
a realização da Dança de Congos.
Vale dizer que a semelhança existente entre a a festa do Senhor
Divino e a de São Benedito diz respeito a todo um ritual que acontece
dias antes, no qual os festeiros percorrem as ruas da cidade levando de
casa em casa a bandeira dos santos e recebendo donativos que serão
transformados em alimentos para serem servidos no dia da festa propriamente
dita. Neste dia, após a missa da madrugada é servido, a toda
a população que queira participar, alimento o dia todo, começando
pelo chá com bolo e adentrando a noite com danças regionais
e pratos típicos da culinária mato-grossense.
Aliás, a culinária mato-grossense não é só
famosa pelo seu sabor inigualável, quanto pela especificidade dos
seus pratos, a exemplo da "maria-izabel", do pacu assado com farofa de
couve, da carne sêca com banana verde, a farofa de banana, e tantos
outros. É tão forte a magia desta culinária sobre o paladar
de seus degustadores que existe até uma lenda referente ao pacu
assado. Segundo essa lenda, todo e qualquer forasteiro que aqui chega deve
comer a cabeça do pacu e daqui não mais terá vontade
de sair.
Fonte: Mato Grosso e Seus Municípios
- João Carlos V. Ferreira