Siriri -
O siriri é uma dança das mais populares do folclore mato-grossense,
praticada especialmente nas cidades e na zona rural da baixada cuiabana,
fazendo parte das festas de batizados, casamentos e festejos religiosos.
É uma dança que lembra os divertimentos indígenas.
Segundo a pesquisadora Julieta de Andrade - "siriri é uma suite
de danças de expressão hispano-lusitana, fortemente cultuada
no ritmo e no andamento, com expressão africana". e compara o siriri
com o fandango do litoral brasileiro.
É o siriri dançado
por homens, mulheres e até crianças, numa coreografia bastante
variada e sem uma interpretação definida, sendo praticada
em sala de casa ou mesmo em terreiros. A música é simples
e bastante alegre, falando de coisas da vida. Os tocadores são também
os cantadores, em solo ou em côro com os participantes da dança.
Os instrumentos musicais usados no acompanhamento da dança são
basicamente a viola de côcho, o ganzá e o mocho ou tamboril.
Cururu
- O Cururu é importante componente do folclore mato-grossense.
A dança do cururu se classifica em sacra e profana. A sacra, também
chamada de função, geralmente acontece as orações
aos santos de devoção popular e tem o objetivo de louvar
ou homenagear aquele determinado Santo. A profana é aquela dança
acompanhada pelos desafios e versos dos repentistas, por trovas de amor
e uma variada coreografia.
"...o cururu, na cuiabania,
é dança de roda, só para homens, ao som de desafios
cantado, com acompanhamento instrumental; é função
de cururu.
Congadas - Outra
dança característica do folclore mato-grossense, é
a Dança de Congos, também chamada Congadas. É de origem
autenticamente africana. Esta dança geralmente fazia parte das comemorações
festivas de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito. A
Dança de Congos é de característica dramática
e a indumentária colorida associada ao uso de espadas, simboliza
a luta entre dois potentes africanos, um representando a nação
do Rei de Portugal, o dominador e o outro representando a nação
do Rei Congo (ou seja, a África negra dominada) .
A dança constitui-se
de duas partes bem distintas, a cantiga e a embaixada. Além da baixada
cuiabana, as Congadas são tradicionalmente cultuada na primeira
capital mato-grossense, a cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade.
Cana verde - A
Cana Verde é uma dança em desuso, hoje é considerada
uma variação mais longínqua do Siriri. Também
é dança típica da baixada cuiabana.
Basicamente é uma dança
de roda simples, onde homens, mulheres e crianças dançam
numa fila, dando dois passos para cada lado. A duração da
dança depende do fôlego dos cantadores, da suas possibilidades
de desafio; e eles cantam sem parar, eis que cada um faz a segunda voz
para o outro, alternadamente, enquanto se "atazanam". - Julieta de Andrade
- Pesquisa de Folclore em Mato Grosso.
Troika Pantaneira
- Expressão
coreográfica criada em Barão de Melgaço, pelo professor
João Gonçalves. O nome "troika" é de origem russa,
significando uma espécie de cordão de saideira, com síntese
do Cururu, Siriri, Rasqueado, Chamame, Quadrilha, Pericón e São
Gonçalo.
A dança caracteriza-se
por passos marcantes. A indumentária é da catadeira de algodão
(saia cor de ponche c/ abertura ) , para mulheres. Para os homens a indumentária
é de peão pantaneiro ( bota, chapéu, lenço,
laço, etc ).
A Troika Pantaneira não
atem data certa para apresentação, mas sabe-se ocorre em
qualquer festa junina.
É comum aos turistas
que visitam as exuberantes baías de Chacororé e Siá
Mariana, se depararem com dançarinos, às margens do glorioso
Rio Cuiabá ensaiando passos e números inéditos da
gostosa dança.
Chalana - Desta nova safra, destacam-se os integrantes do grupo folclórico Chalana, da cidades de Cáceres, que filtrou da música gaúcha e mato-grossense um ritmo alucinante e envolvente, fazendo com que as pessoas que o assistem, tornem-se apreciadores desta novidade cultural. Há que destacar, que o migrante, ao vir para Mato Grosso, trouxe consigo sua tradição, e junto, um certo ranço bairrista. Daí a observar-se em cidades do interior diferentes tipos de manifestações folclóricas, das quais, algumas jamais vistas em nosso Estado.
Dança do Zinho Preto
- A dança do Zinho Preto é digna de registro. É praticada
por um grupo de dançarinos no município de Jauru, cidade
que fica entre as vertentes dos rios Guaporé e Jauru, no oeste mato-grossense.
É uma dança que
envolve somente homens, diversas fases são desenvolvidas, sempre
ao som de uma sanfona e pandeiro. Os dançarinos vestem-se com roupas
em tons berrantes usam penachos na cabeça. Frequentemente pulam
garrafas (vazias) dispostas em linha reta, no chão, usando também
espadas (de madeiras), simbolizando uma luta. A Dança do Zinho Preto
de Jauru tem características indígenas e africanas.
Dança do Facão
- Uma das manifestações
de maior destaque no interior mato-grossense, é a Dança do
Facão. É um folfolguedo tipicamente gauchesco, sendo apresentado
principalmente nos CTGs - Centro de Tradições Gaúchas,
esparramados por todos os rincões do Estado, inclusive na capital,
Cuiabá.
Esta dança agrada a todos que vêem, pela
riqueza do figurino e agilidade dos dançarinos.
Dança dos Lenços - A dança originária da cidade pantaneira de Barão de Melgaço, criada por dona Leodina Oliveira da Silva. Segundo a própria Leodina, esta expressão saiu dos passos do Siriri, chamado Barco do Alemão. A dança é uma declaração de amor no sentido mais singelo e sublime.
Milonga -
Expressão que nasceu na região platina e que virou toada
pública no Rio da Prata. Existe a milonga pampeana e a da cidade.
A Milonga é poeticamente fruto da preguiça do tempo e das
horas de ausência do gaúcho ou base melódica para o
Payador (repentista do sul). Em Mato Grosso, a milonga chegou com os migrantes
gaúchos, notadamente a partir da década de setenta, assim
como outros ritmos.
Chote -
Dança de origem alemã ou húngara, trazida para Espanha
e portugal, mais tarde para a América, a qual fixou-se no sul e
nordeste brasileiro. o nome vem do alemão Schottish, parecido
com a mazuca e com a polca. E chote no sul é mais conhecido
no Rio Grande do Sul, na Província de missiones ( Argentina) e algumas
regiões fronteiriças do Uruguai. Tornou-se dança popular,
criando característica própria. Veio para o Mato Grosso com
os gaúchos e nordestinos, especialmente a partir dos anos setenta.
Fandango
- Dança espanhola e portuguesa, foi trazida para o Brasil no século
passado. O Fandango é um tipo de baile rural em Portugal, acompanhado
de sanfona e viola, enquanto que na Espanha, de violão e castanhola.
É uma expressão que existe em vários estados brasileiros
e Mato Grosso somente recebeu suas influências há poucas décadas.
O Fandango é tocado pelos conjuntos musicais em bailes gaúchos.
Vanerão
- Assim como vanera, vanerinha, segundo o pesquisador Paixão
Côrtes, nasceu da habanera e esta por sua vez nasceu em Havana
- Cuba. Daí o seu nome habanera que quer dizer de habana.
A habanera foi a primeira música genuinamente afro-latino-ameriacana
que foi levada para salões europeus do século XVII. Mais
tarde, já deformada na sua estrutura primordial devido às
modalidades nelas aplicadas pelos músicos europeus, voltou
com os imigrantes portugueses e espanhóis, alojando-se em
diversas cidades da América Latina. De acordo com nossas pesquisas,
a habanera deu origem no maxixe brasileiro, e grande expressão popular
argentina, o tango. Quanto ao vanerão, foi mais uma alteração
dessa música e se tornou, ao lado do chote, bugio, fandango, etc,
uma das danças populares do Rio Grande do Sul. Também foi
trazida a Mato Grosso pelos povos do sul.
Cateretê
- De provável origem africana, disseminada nas regiões sudeste
e Estado de Goiás. Dança em fileiras opostas e cantada, cujo
nome indica origem tupi, mas que coreograficamente se mostra muito influente
pelos processos de dançar catira. O cateretê é
cultivado em Mato Grosso na região do Médio Araguaia.
Bugio
- Dança popular gaúcha. É considerada a mais
autêntica de todas as outras. A denominação
bugio vem da imitação que os pares fazem durante o
desenrolar da dança. O bugio apareceu em Mato Grosso com
o movimento migratório gaúcho.
Moda de Viola -
Canção rural a duas vozes, em terças,
com acompanhamento de viola de pinho. Seus temas enfocam sagas de boiadeiros,
amores não correspondidos e sempre cantada com vernáculos
locais. Em Mato Grosso é facilmente encontrada em toda extensão
araguaiana, trazida pelos migrantes de Minas Gerais, São Paulo e
Goiás, onde é muito comum.
Toada
- Qualquer cantiga de melodia simples e monótona, texto curto, sentimental
ou brejeiro, estrofe e refrão.
Pastorinhas ou Pastoril
- Pequena representação dramática, composta de várias
cenas (jornadas), durante as quais se sucediam cantos, danças, partes
declamadas e louvações e que se realizava diante do presépio,
entre o dia de natal e o de Reis, para festejar o nascimento de Jesus.
Folguedo comum em Barra do Garças - Vale do Araguaia.
Música Nordestina
- Denominação dada a toda nebulosa telúrica da cultura
musical nordestina. A música nordestina tem vários ritmos,
folguedos e cantorias. Em Mato Grosso o chamado forró é
mais conhecido devido a ser uma coletânea de danças populares
nordestinas, como o baião, xaxado, chote ... A música
nordestina influenciou Mato Grosso em toda região do Vale do Araguaia
e norte do Estado, principalmente depois da fundação de Brasília.
Catira
- Considerada a mais contundente expressão rural originada do Lundu,
ao lado do Cateretê, Cururu Paulista, Arrasta-Pé, Balanço,
Calango Mineiro, Pagode...etc. Com sapateado ou improvisações
de versos mostrando uma das facetas de fandango luso-espanhol, a catira
marca no seu desenrolar toda uma saga de chamada música caipira
e seu canto, em primeira e segunda voz, que hoje é uma das bases
vocais da música sertaneja. A catira desenvolveu-se em diversas
regiões mato-grossense; Chapada dos Guimarães, Vale do Araguaia,
do Rio Garças e do rio Vermelho.
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