"Falar da cultura mato-grossense é falar da própria alma do povo deste Estado. Formada pela intrepidez do bandeirante, pela bravura do negro escravo e pela inocência do índio aguerrido, é a nossa cultura o que há de mais representativo da herança congênita dessas três raças. Representa a nossa história, a nossa memória social, as tradições, técnicas, experiências, crendices e acúmulo de conhecimento de quase três séculos de miscigenação racial. Nessa simbiose de civilização está a cultura mato-grossense." - Paulo Pitaluga Costa e Silva in Aspectos Históricos da Cultura Mato-Grossense.
              O têrmo cultura, para a maioria das pessoas indica um alto nível artístico ou intelectual, o progresso da arte e da ciência, a literatura, a filosofia, a expressão do gênio de um povo. Para o cientista social, o conceito engloba tudo isso e muito mais.
              Pode-se dizer que abrange tudo quanto uma pessoa obtém como membro de uma sociedade, todos os hábitos e aptidões adquiridos por uma tradição ou por experiência, assim como todos os objetivos materiais fabricados pela comunidade. A cultura se manifesta em obras de arte ou de erudição, mas também na cozinha e nas roupas, na natureza de nossas relações familiares e sociais, em nosso sistema de valores, nossa educação, nossa idéia do bem e do mal, nossa maneira de contruir casas, nossas aspirações e nossa confiança no futuro, nossa atitude em relação a estrangeiros.
Esta lista não está completa, mas basta para dar uma idéia da amplitude e da complexidade da noção de cultura.
             Não é de estranhar que alguns escritores a considerem um conceito de importância capital nas ciências sociais, visto que indica até que ponto nossas idéias e nosso comportamento são moldadospleo grupo a que pertencemos. Assim, foi possível corrigir, por exemplo, a idéia muito difundida de que os diversos modos de vida dos grupos humanos são determinados principalmente, por fatores biológicos ou raciais. Hoje se reconhece que o conceito de identidade cultural é a base do desenvolvimento, mas só recentemente isso foi aceito em sua plenitude.
              Mato Grosso, um Estado que nasceu subjulgado pelo imperialismo europeu e desde o princípio  expoliado pelo capitalismo daqueles que se intitulam "nossos colonizadores", é um dos poucos Estados brasileiros onde se identifica uma pureza culturale uma fidelidade da terra na preservação das suas raízes. É bem verdade que as raízes culturais mato-grossenses refletem as influências dos que aqui aportaram com o único objetivo de expansão de domínios territoriais e de apossarem da matéria-prima, própria do seu subsolo e imprescindível para garantir e sustentar o processo capitalista que já se desenvolvia no além mar.
             É lícito portanto afirmarmos que a par do interesse imperialista e capitalista da nossa colonização, foram fincados nessa época os alicerces do processo cultural mato-grossense, que, além da influência européia na tecelagem, na cerâmica, sintetiza uma mestiçagem de outros grupos étnicos, a exemplo do índio, dono absoluto, por direito, dessas terras, e do negro, agregado ao nosso espaço geográfico por contigência do próprio processo histórico, da formação conômica-social brasileira.
             Portanto, a cultura mato-grossense espelha uma síntese cultural dos vários grupos étnicos, também responsáveis pela própria característica racial do povo mato-grosssense. Dentro dessa ótica pode-se evidenciar portanto a inclusão do branco, do índio, e do negro nos diversos segmentos culturais do Estado, quer no folclore, literatura, artes plásticas, teatro, música, artesanato, ou mesmo nos saborosos pratos da tradicional culinária mato-grossense.
 
         Fonte: Mato Grosso e Seus Municípios - João Carlos V. Ferreira

 
 
 
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